23 de nov de 2009

Clitóris ou Clítoris? (Parte II)

Antigamente, acreditava-se que o clitóris era aquele pontinho difícil de achar que ficava entre os lábios menores da vulva, logo acima da abertura da uretra. Aquele ponto é na verdade a glande do clitóris, uma área extremamente sensível da vulva.



O clitóris era considerado tão pequeno e misterioso, que muito se escreveu sobre como encontrá-lo. Alguns achavam que melhor do que achar o clitóris, era encontrar um igualmente misterioso ponto G, que ficaria dentro da vagina.

No começo do século XX, acreditava-se que a mulher adulta e madura, normal, só poderia gozar se fosse pela vagina, através da estimulação (…). Dizia-se que a mulher que gozava pelo clitóris era anormal e problemática.

Se mesmo estimulada da maneira que se achava “correta” a mulher ainda não gozasse, haveria até uma cirurgia inventada para aproximar o clitóris da vagina, como se a natureza tivesse errado a pontaria e colocado o clitóris de algumas mulheres no lugar inadequado. A cirurgia, claro, não funcionou.

Fonte: The Myth of the Vaginal Orgasm BY ANNE KOEDT (1970)

Hoje sabe-se que o clitóris é bem fácil de encontrar: ocupa quase toda a vulva, a parte da frente da vagina, uma parte em volta da uretra e uma parte do períneo (espaço entre a abertura da vagina e a do ânus), além de ter ramificações para a raiz das coxas. Atualmente considera-se que temos um “sistema clitoridiano” que conta com 18 estruturas anatômicas distintas.

A parte do clitóris que fica mais evidente e para fora (glande do clitóris) é extremamente sensível. Embora bem menor em tamanho que a glande do pênis, a glande do clitóris tem 4 vezes mais terminações nervosas.

Fonte: Chalker, R. A verdade sobre o clitóris

Muitas mulheres não gostam de uma manipulação direta da glande se feita sem a devida delicadeza, pois a área é tão sensível que a estimulação com força pode até ser dolorosa.

Da glande do clitóris surgem duas pregas de pele que descem até a abertura da vagina; essas pregas são chamadas em geral de pequenos lábios. Existe uma enorme variação anatômica dos pequenos lábios: em algumas mulheres eles são curtinhos, em outras são exuberantes. Cada tipo tem a sua graça e elegância.

Freqüentemente os “pequenos” lábios são maiores que os “grandes”, causando nas mulheres um sentimento de que seriam anormais. Por essa razão, as anatomistas feministas consideram mais correto chamá-los de lábios “internos” e “externos”. Mesmo os lábios internos dificilmente são iguais entre si e comumente um dos lábios é muito maior que o outro, o que não representa qualquer anormalidade.

Por fora dessas pregas mais finas, existem os grandes lábios (externos), que são a continuação lateral do monte de Vênus (aquela parte “almofadada” em cima da vulva).

O monte de Vênus e os lábios externos são revestidos de pele e de pêlos, ao contrário do resto da vulva, que é revestida de mucosa (aquela pele fina do lado de dentro da gente, como da boca, etc.). Essa pele é muito sensível e muitas mulheres adoram ser tocadas ali, mais do que na glande do clitóris.

Por dentro dos lábios externos ficam as chamadas pernas do clitóris. O clitóris como um todo é formado de um tipo de “tecido erétil” parecido com o do pênis, capaz de crescer com a excitação sexual.

É por isso que quando ficamos excitadas, e logo depois de gozar, a vulva fica muito crescida e endurecida. Como diz a piada, “incha lá”. Às vezes o clitóris fica tão “teso” e inchado depois da transa que é difícil urinar, pois a uretra fica “imprensada” pelo clitóris aumentado.

Fonte: A New View of a Woman’s Body

Dica: é importante falar para o(a) parceiro(a) como você quer ser tocada, pois o(a) parceiro(a) pode vir com a melhor das intenções e não fazer o que você prefere, e até provocar dor. Se você não disser o que gosta, como a outra pessoa vai adivinhar?

Muitas mulheres preferem a estimulação suave, outras gostam de mais vigor, umas de um toque contínuo, outras preferem um “pisca-pisca”. Conversando é que a gente se entende, não é?

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Fique Amiga Dela - Dicas para entender a linguagem de suas partes mimosas
Autora: Simone Diniz - Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde
Fonte: www.mulheres.org.br/fiqueamigadela


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Integração na cama ou já no cosmo?
Onde termina o quarto e chega aos astros?
Que força em nossos flancos nos transporta
a essa extrema região, etérea, eterna?
Ao delicioso toque do clitóris,
já tudo se transforma, num relâmpago.
Em pequenino ponto desse corpo,
a fonte, o fogo, o mel se concentraram. (…)
Quantas vezes morremos um no outro,
no úmido subterrâneo da vagina,
nessa morte mais suave do que o sono:
a pausa dos sentidos, satisfeita.
Então a paz se instaura. A paz dos deuses,
estendidos na cama, qual estátuas
vestidas de suor, agradecendo
o que a um deus acrescenta o amor terrestre.

Carlos Drummond de Andrade In:
O Amor Natural, 1992.
Fonte: Uva na Vulva Inesquecível

1 comentários:

Meninas Na disse...

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Bjus,
Meninas Na Parede

As + da Sappho